PARÔNIMOS E VOCÁBULOS




PARÔNIMOS E VOCÁBULOS DE GRAFIA DUPLA

Observação (tudo que está aqui é antes da nova ortografia) é apenas para conhecimento de como era antes.

 Devem-se fazer a mais rigorosa distinção entre os vocábulos parônimos e os de grafia dupla que se escrevem com e ou com i, com o ou com u, com ç ou q, com ch, ou x, com g ou j, com s, ss ou c, ç, com s ou x, com s ou z, e com os diversos valores do x.
Deve-se registrar a grafia que seja mais conforme á etimologia do vocábulo e a sua história, mas que esteja em harmonia com a prosódia geral dos brasileiros, nem sempre idêntica à lusitana. E quando há dois vocábulos diferentes, v.g., um escrito com e e outro escrito com i, é necessário que ambos sejam acompanhados da sua definição ou do seu significado mais vulgar, salvo se forem de categorias gramaticais diferentes, porque, neste caso, serão acompanhados da indicação dessas categorias. Ex.:censório, adj. Cf. sensório, adj. e s.m.
Assim, pois, devem ser inscritos vocábulos com: antecipar, criador, criança, criar, diminuir, discricionário, dividir, filintiano, filipino, idade, igreja, igual, imiscuir-se, invés, militar, ministro, pior, quase, quepe, tigela, tijolo, vizinho, etc.


Palavras como cardeal e cardial, desfear e desfiar, descrição e discrição, destinto e distinto, meado e miado, recrear e recriar, se e si serão consignadas com o necessário esclarecimento e a devida remissão. Por exemplo: descriçãos.f.: ação dedescrever. Cf. discrição. / discrição, s.f.: qualidade do que é discreto.  Cf. descrição.
Os verbos mais usados em ear e iar serão seguidos das formas do presente do indicativo, no todo ou em parte.
 De acordo com critério exposto, far-se-a rigorosa distinção entre os vocábulos que se escrevem:

a) com o ou com u: frágua, lugar, mágoa, manuelino, polir, tribo, urdir, veio (v. ou sust.), etc.

b) c ou ou q: quatorze (seguido de catorze), cinquenta, quociente (seguido decociente), etc.

c) com ch ou x: anexim, bucha, cambaxirra, charque, chimarrão, coxia, estrebuchar, faxina, flecha, tachar (notar; censurar), taxar (determinar a taxa; regular), xícara, etc.

d) c ou g ou j: estrangeiro, jenipapo, genitivo, gíria, jeira, jeito, jibóia, jirau, laranjeira, lojista, majestade, viagem (sust.), viajem (do v. viajar) etc.

e) com s, ss, ou c, ou ç: ânsia, anticéptico, cabo (cabo de navio), bossa (protuberância, aptidão), bolçar (vomitar), bolsar (fazer bolsos), caçula, censual(relativo a censo), sensual (lascivo), etc.  
Observação.  - Não se emprega ç em inicio de palavra.

f) co s ou x> espectador (testemunha), expectador (pessoa que tem esperança), experto (perito; experimentado), esperto (ativo; acordado), esplêndido, esplendor, extremoso, flux (na locução a flux), justa fluvial, justapor, misto, etc.

g) Com s ou com z: alazão, alcaçuz (planta), alisar (tornar liso), alizar (s.m.), anestesiar, autorizar, bazar, blusa, brasileiro, buzina, coliseu, comezinho, cortês, dissensão, empresa, esfuziar, esvaziamento, frenesi (seguido de frenesim), garcês, guizo(s.m), improvisar, irisar (dar as cores do iris a), irizar (atacar o iriz o cafezeiro), lambuzar, luzidio, mazorca, narcisar-se, obséquio, pezunho, prioresa, rizotônico, sacerdotisa, sazão, tapiz, trânsito, xadrez, etc.

OBSERVAÇÃO 1º - É sonoro o s de obséquio e seus derivados, bem como o do prefixo trans, em se lhe seguindo vogal, pelo que se deverá indicar a sua pronúncia entre parênteses; quando , porém, a esse prefixo se segue palavra iniciada por s só se escreve um, que se profere como se fora dobrado: obsequiar ((ze), trans oceânico (zo); transecular (se), transubstanciação (su); etc.

OBSERVAÇÃO 2º - No final de silaba átona, seja no interior, seja no fim do vocábulo, emprega-se o s em lugar do z: asteca, endes, mesquita, etc.

O x continua a escrever-se com os seus cinco valores, bem como nos casos em que pode ser mudo, qual em exceto, excerto, etc Tem, pois, o som de :

1º  -  ch, no principio e no interior de muitas palavras: xairel, xerife, xícara, ameixa, enxoval, peixe, etc.

Observação. - Quando tem esse valor não será indicada a sua pronuncia entre parênteses.

2º - cs no meio e no fim de várias palavras: anexo, complexidade, convexo, bórax, látex, sílex, etc.

3º - z, quando ocorre no prefixo exo, ou ex seguido de vogal: exame, exito, êxodo, exosmose, exotérmico, etc.

4º - ss aproximar, auxiliar, máximo, proximidade, sintaxe, etc.

5º - s, final de sílaba: contexto, fênix, pretextar, sexto, textual, etc.

No final de sílabas iniciais e interiores se deve empregar o s em vez do x, quando não o precede a vogal e:
justafluvial, justaposição, misto, sistino, etc.


NOMES PRÓPRIOS

Os nomes próprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo portugueses ou portuguesados, estão sujeitos ás mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns. 
Para salva guardar direitos individuais, quem o quiser manterá em sua assinatura a forma consuetudinária. 
Poderá também ser mantida a grafia original de quaisquer firmas, sociedades, títulos e marcas que se achem inscritos em registro público. 
Os topônimos de origem estrangeira devem ser usados com as formas vernáculas de uso vulgar; e quando não tem formas vernáculas, transcrevem-se consoante as normas estatuídas pela Conferência de Geografia de 1926 que não contrariarem os princípios estabelecidos nestas Instruções.
Os topônimos de tradição histórica secular não sofrem alteração alguma na sua grafia, quando já esteja consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros. Sirva de exemplo o topônimo "Bahia", que conservará esta forma quando se aplicar em referência ao Estado e a cidade que têm esse nome. 

Observação - Os compostos e derivados desses topônimos obedecerão ás normas gerais do vocabulário 
comum.



ACENTUAÇÃO GRÁFICA

A fim de que a acentuação gráfica satisfaça ás necessidades do ensino, - precípuo escopo da simplificação e regularização da ortografia nacional -, e permita que todas as palavras sejam lidas corretamente, estejam ou não marcadas por sinal diacrítico, no Vocabulário será indicada, entre parênteses, a sílaba ou a vogal tônica e o timbre desta em todos os vocábulos cuja pronúncia possa dar azo a dúvidas. 
A acentuação gráfica obedecerá ás seguintes regras:

1º - Assinalam-se com o acento agudo os vocábulos oxítonos que terminam em a, e, o abertos, e com o acento circunflexo os que acabam em e, o fechados, seguidos, ou não, de s: cajá, hás, jacaré, pés, seridó, sós; dendê, lês, pôs, trisavô: etc.

Observação.  -  Nesta regra se incluem as formas verbais em que, depois de a, e, o, se assimilaram o r, o s e o z ao l do pronome lo, la, los, las, caindo depois o primeiro l: dá-lo, contá-lá, falo-á, fê-los, movê-las-ia, pô-los, quê-los, sabê-lo-emos, trá-lo-ás, etc.

2º - todas as palavras pro paroxítonas devem ser acentuadas graficamente: recebem o acento agudo as que têm na ante penúltima sílaba as vogais a, e , o abertas ou i, u; e levam acento circunflexo as em que figuram na sílaba predominante as vogais e, o fechadas ou a, e, o seguidas de m ou n: árabe, exército, gótico, límpido, louvaríamos, público, úmbrico; devêssemos, fôlego, lâmina, lâmpada, lêmures, pêndula, quilômetro recôndito; etc. 

Observação. - Incluem-se neste preceito os vocábulos terminados em encontros vocálicos que posem ser pronunciados com ditongos crescentes: área, espontâneo, ignorância, imundície, lírio, mágoa, régua, tênue, vácuo, etc.

3º - Os vocábulos paroxítonos finalizados em i ou u, seguidos, ou não, de s, marcam-se com acento agudo quando na sílaba tônica figuram a, e, o seguídos de m ou n: beribéri, bônus, dândi, íris, júri, lápis, miosótis, tênis, etc.

Observação.   1º - Os paroxítonos terminados em um, uns têm acento agudo na sílaba tônica: álbum, álbuns, etc.

Observação.  2º - não se acentuam os prefixos paroxítonos acabados em i; semi-histórico, etc.

4º - Põe-se o acento agudo no i e no u tônicos que não formam ditongo com a vogal anterior: aí, balaústre, cafeína caís, contraí-la. distribuí-lo, egoísta, faísca, heroína, juízo, país, peúga, saía, saúde, timboúva, viúvo, etc.

Observação.  1º - não se coloca o acento agudo no i e no u quando, precedidos de vogal que com eles  não forma ditongo, são seguídos de l, m, n, r, ou z que não iniciam sílabas e, ainda, nh: adail, contribuinte, demiurgo, juiz, paul, retribuirdes, ruim, tainha, ventoinha, etc.

Observação. 2º - Também não se assinala com acento agudo a base dos ditongos tônicos iu e ui, quando precedidos de vogal: atraiu, contribuiu, pauis, etc.

5º - Assinala-se com o acento agudo ou tônico precedido de g ou q e seguido de e ou i: argúi, argúis, averigúe, averigúes, obliqúe, obliqúes,etc


6º - Põe-se o acento agudo na base dos ditongos abertos éi, éu, ói, quando tônicos: assembléia, bacharéis, chapéu, jibóia, lóio, paranóico, rouxinóis, etc.

7º - Marca-se com o acento agudo o e da terminação em ou ens das palavras oxítonas de mais de uma sílaba: alguém, armazém, convém, convéns, detém-lo, mantém-na, parabéns, retém-no, também, etc.

Observação 1º - Não se acentuam graficamente os vocábulos paroxítonos finalizados por ens: imagens, jovens, nuvens, etc.

observação 2º - A 3º pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus compostos recebe acento circunflexo no e da sílaba tônica: (êles) contêm, (elas) convém, (êles) têm, (elas) vêm, etc. 

Observação 3ª -  Conserva-se, por clareza gráfica, o acento circunflexo do singular crê, dê, lê, vê, no plural crêem, dêem, lêem, vêem e nos compostos desses verbos, com o descrêem, desdêem, relêem, revêem, etc.

8º - Sobrepõe-se o acento agudo ao a, e, o abertos e ao i ou u da penúltima sílaba dos vocábulos paroxítonos que acabam em l, n, r e x; e o acento circunflexo ao e, o fechados e ao a, e, o seguidos de m ou n em situação idêntica: açúcar, afável, alúmen, córtex, éter, hífen. aljôfar, âmbar, cânon, êxul, fênix, vômer, etc.

Observação - Não se acentuam graficamente os prefixos paroxítonos terminados em r: inter-helênico, super-homem, etc.

9º - Marca-se com o competente acento, agudo ou circunflexo, a vogal da sílaba tônica dos vocábulos paroxítonos acabados em ditongo oral: ágeis, devêreis, escrevêsseis, faríeis, férteis, fósseis, fôsseis, imóveis, jóqueis, pênseis, pusésseis, quisésseis, tínheis, túneis, úteis, variáveis, etc. 

10º - Recebe acento circunflexo e penúltimo o fechado do hiato oo, seguido, ou não, de s, nas palavras paroxítonas: abençôo, enjôos, perdôo, vôos, etc.

11º - Usa-se o til para indicar a nasalização, e vale como acento tônico se outro acento não figura no vocábulo: afã, capitães, coração, devoções, põe, etc.

Observação - Se é átona a sílaba onde figura o til,acentua-se graficamente a predominante: acórdão, bênção, órfã, etc.

12º - Emprega-se o trema no u que se pronuncia depois de g ou q e seguido de e ou i: agüentar, argüição, eloqüente, tranqüilo, etc.

Observação 1º - Não se põe acento agudo na sílaba tônica das formas verbais terminadas em qüe, qüem: apropinqüe, delinqüem, etc. 

Observação 2º - É licito o emprego do trema quando se quer indicar que um encontro de vogais não forma ditongo, mas hiato: saüdade, vaïdade (com quatro sílabas), etc.

13º - mantem-se o acento circunflexo e o til do primeiro elemento nos advérbios em mente e nos derivados em que figuram sufixos precedidos do infixo z (zada, zal, zeiro, zinho, zista, zito, zona, zorro, zudo, etc.): cômodamente, cortêsmente, dendêzeiro, ôvozito, pêssegozinho: chãmente, cristãzinha, leõezinhos, mãozada, romãzeira, etc.: e o acento agudo do primeiro elemento passará a ser acento grave nos derivados dessa natureza: aòzinha, cafèzeiro, faìscazinha, indelèvelmente, opùsculozinho, sòmente, sòzinho, terrìvelmente, voluntàriozinho, volùvelmente, etc.

14º  - Emprega-se o acento circunflexo com diferencial ou distintivo no e e no o fechados da sílaba tônica das palavras que estão em homografia com outras em que são abertos esse e e esse o : acêrto (s.m) e acerto (v.); aquêle, aquêles (adj. ou pon. dem.) e aquele, aqueles (v.); côr (s.f) e, corte cortes (v.); dêle, dêles (contr. de prep. de com o pron. pess. êle, êles) e dele, deles(v.); devêras (v.) e deveras (adv.); êsse, êsses, êste, êstes (adj. ou pron. dem.) e esse, esses, este, estes (s.m); fêz (s.m.ev.)e fez (s.f.); fôr (v.) e for (s.m.); fôra (v.) e fora (adv., interj. ou s.m.); fôsse (dos v. ir e ser) e fosse (do v. fossar); nêle, nêles (contr. da prep. em com o pron. pess. êle, êles, e nele, neles (s.m.); pôde (pert. ind. ) e pode (pres. ind.): sôbre (prep.) e sobre (v.); etc.

Observação 1º - Emprega-se também o acento circunflexo para distinguir de certos homógrafos inacentuados as palavras que têm e ou o fechados: pêlo (s.m.) e pelo (per e lo); pera (s.f) e pera (prep. ant.); pôlo, pôlos (s.m.) e polo, polos ( por e lo ou los); pôr (v.) e por (prep.); porquê (quando é subst. ou quando vem no fim da frase) e porque (conj.); quê (s.m., interj., ou pron. no fim da frase) e que (adv., con., pron. ou part. expletiva). 

Observação 2º - Quando a flexão do vocábulo faz desaparecer a homografia, cessa o motivo do emprego do sinal diacrítico. acentuam-se, por exemplo, o masculino singular enfêrmo e as formas femininas enfêrma e enfêrmas, em razão de existirem enfermo, enferma e enfermas, com e aberto, do verbo enfermar, porém não se acentua graficamente o substantivo plural enfermos, visto não haver igual forma com e aberto; colhêr e colhêres, formas do infinito e do futuro do conjuntivo do verbo colhêr, recebem acento circunflexo para se diferençarem dos homógrafos heterofônicos colher e colheres, substantivos femininos que se proferem com e aberto, mas não levam acento gráfico as outras pessoa daquele modo e tempo, em virtude da inexistência de formas cujo timbre da vogal tônica seja aberto. 

15º - Recebem acento agudo os seguintes vocábulos, que estão em homografia com outros: ás (s.m), cf. ás (contr. da prep. a com o art. ou pron. as);; pára (v.), cf. para (prep.); péla, pélas (s.f. e v.), cf. pelo (agl. da prep. per com o art. ou pron. lo); péra (el. do s.f. comp. péra-fita), cf, pera (prep. ant.); pólo, pólos (s.m.), cf, polo, polos (agl. da prep. por com a art. pron. lo, los): etc. 

Observação. - Não se acentua graficamente a terminação amos do pretérito perfeito do indicativo dos verbos da 1ª conjugação. 

16º -  O acento grave, além de marcar a sílaba pretônica de que trata a regra 13ª, assinala as contrações da preposição a com o artigo a e com os adjetivos ou pronomes demostrativos a, aquêle, aqueloutro, aquilo, os quais se escreverão assim: à, às, àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo, àqueloutro, àqueloutra, àqueloutros, +

Observação. - Àquele e àqueles dispensam o acento circunflexo, em razão de o acento grave os diferençar dos homógrafos heterofônicos aquele e aqueles.












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